terça-feira, fevereiro 14, 2006

Queria deletar! by Érica

Ontem por alguns minutos eu fiquei desesperada. E depois dei muitas
gargalhadas. Recebi um e-mail de uma pessoa conhecida(porque os remetentes
desconhecidos eu bloqueio ou deleto rápido!) que dizia de um vírus que se
espalha rápido, colhe informações e destrói o PC. Eu que já tinha na semana
passada, trocado o computador porque ele estava "virulento", não tive
dúvida: segui as informações, deletei o tal vírus e encaminhei(como mandava
o e-mail), para toda a minha lista!. Minutos depois um entendido no
assunto me liga e diz que era tudo mentira. O tal vírus, que era
representado por um ursinho cinza, não passava de um (mais um!) boato que
circula pela internet. Passados poucos minutos, metade dos amigos já tinha deletado o inofensivo urso. Coisas da modernidade. Gente sem o que fazer que fica
disseminando o medo. Vai saber quem começou... Falsa autoria, falsa
realidade. Já recebi mensagens do tipo: "Salve uma vida", correntes para
Nossa Senhora, essas diziam que se não repassasse teria anos de azar e que meus desejos nunca se realizarão. Não repasso este tipo de coisa. Será por isso que meus
desejos não se realizam??? Que dúvida cruel.!..
Vou continuar sem repassar e lutando por aquilo que quero.
Um desejo não realizado, um poder que não tenho, é o de deletar(com um
simples toque no computador), algumas coisinhas... Deletaria, se pudesse: a
poluição, fome, violência, trânsito engarrafado(putz, esse seria demais!),
gravatas coloridas demais, amendocrem(arg!), injeção, gordura
localizada(acordar cedo para malhar, ninguém merece!) Se pudesse, deletaria
também algumas lembranças traumáticas, alguns medos infundados, algumas
saudades, e o mais libertador de tudo: Deletaria, sem possibilidade de ser
resgatada, a culpa!
Ou você tem uma receitinha para tal milagre???

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

"Amantes virtuais II", by Érica

Nunca consegui frear o estado do enamorar-se. Embora às vezes fosse necessário. Iludida, mergulhava, inundava, transbordava-me. Muitas vezes de lágrimas. Hoje estou mais lúcida. Continuo escolhendo errado, mas percebo mais rapidamente...Grande salto para quem já permaneceu anos em relações mais que frustradas. Mas não sei me blindar afetivamente, meu querido. Não sei o que é isso. Prefiro a perda do que o não ter(isso não é a mesma coisa não viu!). Ranço de amar? Sei o que é isso não. Não quero saber nunca. Prefiro as cores, tons, sons, sabores, temperos do amor. Mesmo que amargos. Mas prefiro o amor que apazigua. Prefiro o amor que tem cheiro e gosto bom. Amor que enlouquece eu não gosto não. Enlouqueço! E quero estar lúcida pra provar deste novo amor. Amor virtual. Olhar o monitor! Tocar o teclado. Numa tentantiva insana de chegar até você. Onde está você? Quem é você? Este a quem dedico os primeiros e os últimos toques do teclado. Todos os dias. Até o dia em que o toque seja em outro lugar. Outros lugares. Posso não saber, mas posso querer !"

"Amantes virtuais I", by Heitor

Custo a conter o entusiasmo, a frear a ilusão, mas não é que esse danado parece estar novamente enamorado? Em outras circunstâncias, pularia de cabeça, ainda que a última experiência veementemente me desautorizasse a tal atitude. Não é nada fácil ser trocado. Um misto de maus sentimentos e péssimos anseios o corrói por dentro, num processo aparentemente irrefreável de autocomiseração. Num segundo momento, guarda levantada, carapaça fechada, escudos “antifrustrações” amorosas acionados. Sensação de força, de blindagem afetiva. Até que o bálsamo de um novo estado de encantamento amoroso vem salvar corpo, mente, alma e coração de todo o ranço, de toda a putrefação. Tudo se renova, tudo se ilumina. As cores reavivadas. Aromas e sabores intensificados. A mais tola balada no rádio, por mais brega que seja, arranca um longo suspiro, produto de uma conexão direta à figura da mulher amada.

Mulher amada? Como posso saber? Sequer conheço a figura pessoalmente! As conversas – virtuais – são absolutamente prazerosas. A imagem dela é, no mais das vezes, agradável aos meus olhos – e ela não tem o menor pudor de me mostrar seus cliques menos favorecidos.

Certa vez, num momento em que não carregava esse tipo de dilema – achava que sabia perfeitamente quando estava amando ou não alguém –, uma mulher tentou me ensinar a identificar quando tal sensação poderia significar amor. Segundo ela, a gente ama quando o primeiro e o último pensamento do dia – entre tantos outros naquele período – são dedicados à figura que se quer bem. Não sei se é o caso, mas algo teima em me dizer que assim será, tão logo ela esteja à distância do meu braço estendido. Sobre ela, espero.

Mulher amada? Como posso não saber?